São Paulo Apostolo

 

A riqueza das CARTAS PAULINAS

 

As Cartas Paulinas são reflexões teológicas ou pastorais num segundo momento (com exceção da Carta aos Romanos). Antes disso, houve o trabalho missionário de fundar e organizar as comunidades. É certo que o número de comunidades fundadas pelo Apóstolo Paulo e seus companheiros foi muito maior daquelas que receberam alguma Carta. Outra constatação importante é que não foi possível conservar todos os escritos paulinos. Algumas cartas se perderam e não estão no cânon bíblico (Cânon é uma palavra grega que significa “medida”, “régua”, “norma” ou “lista”; Cânon bíblico é a relação dos livros reconhecidos pela Igreja como inspirados, propostos pelo magistério eclesiástico aos fiéis como Palavra de Deus. Livros canônicos são pois aqueles, considerados na “medida certa” da Palavra de Deus, isto é, aqueles que foram reconhecidos como inspirados por Deus e formam o conjunto das Escrituras).


O conjunto das Cartas Paulinas compreende um total de treze Cartas que reivindicam a
Paternidade do Apóstolo Paulo. A ordem em que se encontram no cânon bíblico não reflete a data em que foram escritas, mas foram organizadas segundo a sua extensão.


Alguns procuram agrupar as Cartas do seguinte modo:


a)Cartas maiores: Romanos, 1-2 Coríntios, Gálatas e 1-2 Tessalonicenses.


b)Cartas da prisão: Efésios, Filipenses, Colossenses e Filemon.


c)Cartas pastorais: 1-2 Timóteo e Tito.


Outra classificação pode ser feita a partir da possível autoria das mesmas:


Cartas Proto-Paulinas: que seguramente são autênticas, isto é, que são de autoria do Apóstolo Paulo, e que são aceitas por todos os estudiosos: Romanos, 1-2 Coríntios, Gálatas, Filipenses, 1 Tessalonicenses e Filemon.


Cartas Deutero-Paulinas: são aquelas cuja autenticidade não é segura ou é negada por um certo número de estudiosos: Efésios, Colossenses e 2 Tessalonicenses.


Trito-Paulinas: 1-2 Timóteo e Tito. Essas dificilmente seriam do Apóstolo Paulo, pois usam uma linguagem diversa e tratam de problemas que existiam nas comunidades no final do I século. É certo que algumas Cartas de Paulo foram perdidas. Em 1Cor 5,9 já se fala de uma Primeira Carta aos Coríntios. Em Cl 4,16, Paulo se refere a uma Carta escrita aos cristãos de Laodicéia. E temos ainda a famosa “em lágrimas” aos Coríntios (2Cor 2,4). Alguns estudiosos afirmam que a Carta aos Filipenses é um conjunto de vários bilhetes. E também que a 2Cor é um ajuntamento de várias cartas, enviadas em datas diferentes.


As Cartas não foram escritas de próprio punho pelo Apóstolo. Ele as ditava (cf. Rm 16,22) e às vezes assinava (cf. Gl 6,11). Talvez a carta a Filemon tenha sido o único escrito com sua própria mão.


Cronologia dos Escritos Paulinos


50-51: Paulo aos Tessalonicenses;


52-54: Paulo aos Corintios, Filipenses, Filemon;


53-55: Paulo aos Colossenses (ou 70-80) atribuída a um discípulo de Paulo;


54-57: Paulo II Carta aos Corintios e Gálatas;


56-57: Paulo aos Romanos;


60-70: Carta aos Hebreus, autor anônimo;


70-100: Segunda carta aos Tessalonicenses atribuída a escola paulina;


80-100: Epistolas aos Efésios, atribuída à escola paulina;


100: As Epistolas pastorais (I e II a Timóteo, Tito), atribuídas à escola paulina.

 

No decorrer deste Ano Paulino, estaremos refletindo através de artigos no nosso site diocesano, os escritos paulinos a partir de uma exegese bíblica, destacando as idéias principais de cada carta, e assim, apresentar uma possível teologia da mesma.

 

Sem. Raimundo Pereira - Teologia
Diocese de Santo André


 

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